Me
chamo Cíntia Araújo, moro em Santarém-Pará, sou formada em Pedagogia e
acadêmica em Gestão em Tecnologia da Informação, sou grupo do Polo Norte
e sou tutora da turma Açaí. Faço parte de um coletivo chamado Puraqué
que trabalha com Cultura digital e cidadania, utilizando Software Livre,
e tendo por base a filosofia de Paulo Freire, que prima em trabalhar a
partir da realidade em que o individuo está inserido. Também atuo como
colaboradora da Unidade Casa Brasil de Santarém, que trabalha no mesmo
ritmo do Coletivo Puraqué, gosto muito do que faço amo meu trabalho.
Sempre trabalhei com cultura digital, no entanto, é a primeira vez que
estou tendo a oportunidade de trabalhar em uma plataforma em educação à
distância, estou muito entusiasmada com o Projeto Telecentrosbr e irei
relatar algumas experiências que obtive no mesmo.
Logo
de início confesso que fiquei assustada, pois acreditei que seria muito
complicado contribuir com a formação de pessoas sem ao menos
conhecê-las de perto, sem ter um contato inicial, sem conhecer a
realidade delas, fiquei com receio de errar e de ser não ser aceita por
eles, senti que eles também tiveram esse medo. Entrava em contato com
eles e muitas vezes não tinha o retorno que eu desejava, para minha
sorte tenho um irmão que passou no edital de monitores e faz parte da
minha turma Açaí. Então usei essa vantagem ao meu favor, pedindo ao
mesmo que entrasse em contato com os monitores que não me deram retorno e
assim fui conhecendo cada monitor. Graças a Deus essa barreira foi
quebrada e agora já tenho um relacionamento mais próximo com todos os
monitores.
Por
várias vezes me senti angustiada, pois em algumas situações por mais
que eu explicasse alguns monitores não conseguiam entender as
atividades, criei um mine-tutorial simples e consegui solucionar o
problema, fiquei muito feliz! Sempre falo para eles que devemos
trabalhar usando nossas redes sociais, pois elas são de suma importância
para divulgação de nosso trabalho entre outras coisas. Me sinto muito
orgulhosa por fazer parte da turma Açaí, meus amigos monitores são
vitoriosos, passam por inúmeras barreiras, no entanto, não desistem
facilmente.
Na
minha opinião todos nós devemos conhecer a realidade em que o monitor
está inserido, para que tenhamos uma visão mais ampla de como podemos
ajudá-los e até mesmo avaliá-los em nossos relatórios mensais e
semanais. Tenho monitores de realidades muito diferentes, alguns não tem
acesso ao celular, pois em sua cidade não tem sinal, outros precisam
comprar óleo para ter 2h de acesso a internet, monitores que estão
angustiados pois seu infocentro vai ser retirado de uma comunidade
carente onde está inserido e até monitores com problemas familiares
sérios, como é o caso de uma monitora que esta angustiada pois seu filho
de 5 anos e outras crianças sofreram violência sexual de um funcionário
da escola que estudam. Por essa e outras razões que devemos primeiro
conhecer a realidade dos monitores só para então ajudá-los e avaliá-los
de uma forma adequada. Enfim está sendo uma experiência muito boa
trabalhar no telecentrosbr, e saber que estamos contribuindo com a
formação de opiniões.